THE END…
Gostou?…a nave evaporou em 5 de setembro de 2009. Deixe aqui seu comentário, pois ela poderá aterrisar novamente e você saberá.
A Fundação Cartier e a pichação
Evan Roth, aka n9ne, está com o projeto Grafitti Taxonomy apresentado no site da Fundação Cartier, onde tenta provar através de estudo iniciado em 2004 que as marcas mais elementares do grafitti também são arte. Evan reúne uma grande quantidade de estilos na sua pesquisa e recentemente a Fundação banca a exposição “Né Dans La Rue” (Nascido nas Ruas), que inclui outros nomes desta das bandas de lá.
Será que o caso de Caroline Pivetta da Mota na Bienal de São Paulo também não serviu de inspiração para abrigar esta calorosa discussão? Sei lá…
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Tilda Swinton
Tilda Swinton (Spring / Summer 2009)
Sorria, você está sendo filmado!
Já foi o tempo em que em uma banca de revistas a capa que mais me chamava atenção era a da i-D, da Flaunt, ou da Dazed. Continuo gostando, mas talvez pela idade (44, muitíssimos bem vividos , estragados e “bafonizados”) são as capas com chamadas mais sérias que me cobram o olhar e a mente. Flusser tem um texto lindo (Linha e Superfície) em o Mundo Codificado, em que fala que as linhas (os textos) vêm se tornando cada vez menos importantes para as massas, em detrimento das superfícies, ou seja, as imagens. Mas meu interesse aqui é juntar alhos e bugalhos e comentar (lá vou eu…posso?) sobre as capas da Time e a Newsweek desta semana.
No começo de 2009 é comum uma série de previsões feitas por escritórios de tendências, antropólogos, sociólogos, darem o ar da graça. Eu particularmente fico ávido por elas, já que trabalho com isso. Uma delas preparada por um grupo de estudiosos ingleses, que avaliam as tendências globais socioculturais e pensam nas perspectivas sobre o comportamento humano e as relações sociais, trouxe a cabo o tema OTIMISMO. Com um texto engodo, que mais parecia manual de auto-ajuda botei o pé atrás e fiquei imaginando o que isso representaria para uma Europa em recessão e um Brasil tecnicamente entrando no barco da crise. O apelo final ficou por conta de um convite “para explorar a importância social do olhar sobre o lado mais brilhante da vida”, que me deixou comovido, mas ainda assim não contaminado pela “OTIMISMO NECESSÁRIO”.
A matéria da “Time” é curtinha e digeri rapidinho. Falava da nova geração espanhola e que como um todo reflete a juventude européia, a perda de esperanças e sonhos de uma geração sob o signo da recessão. Na capa “Generation Disappointment – Bad paid, unemployed and going nowhere. Why Young Europe has so little to smile about”. Lá dentro um painel que demonstra o que eles chamam “The Broken Hopes of a Generation”. Lembrou-me os anos 80 aqui no Brasil, onde não víamos futuro e queríamos a todo custo correr para o velho mundo. Valia mais ir lavar banheiro gringo do que ficar aqui.
Alguns trechos da matéria me chamaram atenção, assim como alguns depoimentos que aperto a tecla SAP que tenho aqui.
…Eu sempre pensei que eu ia fazer melhor do que meus pais, diz ela. Mas agora parece um sonho impossível.
…Os chame Geração Decepção. Enquanto a recessão aperta em toda a Europa, os jovens estão se machucando desproporcionalmente.
…Muitos não têm referência do que está acontecendo, pois cresceram com duas décadas de forte crescimento econômico e do pressuposto otimista que seriam melhores que os seus pais, tal como os seus pais fizeram melhor do que a geração antes deles. Ao se dar conta que Nikes, Wiis e celulares não são direitos de nascença, isto é uma dura lição.
…Portela trabalha numa loja local de roupas e pretende ser designer algum dia; seus três amigos estão na faculdade. Seus cabelos brilhantes e roupas elegantes revelam que é próspera, que vem da classe média, mas mesmo estas mulheres estão sentindo uma fisgada. Questionada sobre a forma como a crise financeira está afetando eles, esta enumerou uma longa lista: as roupas que já não pode comprar, as férias já não podem ter. “Antes, você podia ir às compras apenas por capricho”, diz Portela. “Agora os meus pais não me deixam.”
…Mas mais frustrante é o que está acontecendo acerca das expectativas sobre o trabalho e a habitação.
… Agora, sou dependente de minha mãe
…Perguntado se ele espera superar os seus pais no padrão de vida, ele ri amargamente. Não tenho expectativas de superá-los. Eu não tenho expectativas de nada.”
… “Minha geração nasceu em uma época de abundância”, diz ela. “Acho que as nossas expectativas eram muito altas.
A Newsweek (o novo layout está bem mais leve, não?) com a capa “The Poor Rich – No longer recession-proof , the wealthiest are loosing the most” ainda não li. Vou deixar para o finde.

Bem, tudo isso pra lembrar que OTIMISMO vende pencas (claro!) e PESSIMISMO nunca. Que roupa colorida atrai melhores fluidos do que preto (rsss!), que o Brasil é o país do Futuro e as matéria citadas acima SÓ DIZEM RESPEITO AO LADO DE LÁ, mesmo porque sempre temos VIVIDO EM CRISE. Além do mais, você sabe que nós brasileiros temos na veia ALEGRIA. Xô Urucubaca!
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